Assim mesmo, com todas as letras e maiúsculas. Foi o que eu tive a surpreendente felicidade de encontrar depois de praticamente 10 anos de carnaval em Salvador. Pra quem estava acostumado com o conceito baiano-capitalista de carnaval, conhecer Olinda foi como encontrar uma piscina (aquecida, senão não dá pra entrar) nos dias mais secos da estação árida da Ilha Quadrada.
Confesso que cheguei com uma certa desconfiança em relação à idéia de ficar o dia todo torrando em baixo do sol e ouvindo frevo. Mas acho que não durou muitos segundos depois de abrir a primeira cerveja e ter a mente e o corpo possuídos pelo impressionante clima que paira sobre a cidade. E é sobre a cidade inteira, sem exceção, cada paralelepípedo, cada ladeira (Olinda, quanta ladeira!!!)... tudo respira carnaval.
Sem a pretensão de definir aquilo que acontece de sexta a quarta-feira de cinzas, parece que existe um conceito único de carnaval, sintetizado exatamente na ausência de qualquer intenção de criar regras sobre como fazer carnaval. Cada pessoa na rua é atração, cada bloco é único... Cada execução (e são muitas) do frevo das vassourinhas parece a primeira e quando você percebe já está tomado pelo espírito de diversão das trocinhas (é como são chamadas as fanfarras por lá).
Ah sim, diversão!!! Essa parece ser a palavra de ordem durante esses (infelizmente) pouquíssimos dias de folia. E o pessoal leva a sério essa tal de diversão. 90% do povo anda fantasiado, e com muita criatividade. Fique parado em uma esquina e se divirta com as figuras com as quais você fatalmente irá se deparar... não precisa muito mais que isso pra se divertir em Olinda. Mas o melhor é que tem muito mais que isso.
O mais impressionante é que ninguém fica de fora. Crianças, muitas crianças na rua, geralmente munidas de suas arminhas de água, atazanando a vida dos passantes de primeira viagem, que logo descobrem que aquela brincadeira de criança é excelente munição para amenizar o forte calor. Têm velhinhos nas ruas... casais de mais de 60 anos fantasiados da cabeça aos pés, beijando na boca e brincando o carnaval. Você com certeza já ouviu a expressão "brincar o carnaval". Naquelas ladeiras todos brincam o carnaval, sem discriminação, sem segregação, e levando o sentido mais singelo do verbo ao pé-da-letra.
Outra coisa impressionante é o orgulho do pernambucano em relação às suas tradições. O pernambucano gosta de frevo, gosta de maracatu, gosta de charque com macaxeira, sabe o hino do estado, ama sua bandeira. É emocionante a devoção do povo pernambucano com a cultura local.
Falando nisso, o carnaval não termina em Olinda, na verdade só começa lá. À noite a agitação é no Recife Antigo, com algumas dezenas de shows no Marco Zero. Lembra o que eu disse no parágrafo anterior? Então tente assistir a um show do Nação Zumbi ali durante o carnaval. Rapaz... o povo gosta de maracatu!!!
Bom, acho melhor parar de falar bem de Pernambuco, senão daqui a alguns anos vai encher de habitantes da Ilha Quadrada por aquelas bandas. E eles invadem e estragam tudo por onde passam, como já fizeram com Porto Seguro, Arraial D'ajuda, Pompéu, Diamantina e tantos outros carnavais.
Então, até o próximo CARNAVAL!!!
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Um comentário:
Eu, pernambucana e apaixonada que sou por carnaval e pelo meu estado, não podia deixar de comentar isso... Que coisa mais linda é essa??? TU-DOOOO verdade... definição perfeita do é viver o carnaval pernambucano. Tô é orgulhosa de ler isso, principalmente vindo de um... carioca??? Tô em dúvida!!! Que venham.. muitos carnavais com muitos shows de Lenine e Nação Zumbi no Marco Zero e muitas troças subindo e descendo as ladeiras de Olinda... A gente merece...
Postar um comentário